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Térmitas em apartamentos em Lisboa e Porto maio 2026: como identificar a espécie, o custo real do tratamento e o que o seguro cobre

As enxameações de térmitas em apartamentos do centro de Lisboa e do Porto começam no final de maio. Como identificar a espécie, custos reais de tratamento em 2026 e o que o seguro multirriscos cobre.

Térmitas em apartamentos em Lisboa e Porto maio 2026: como identificar a espécie, o custo real do tratamento e o que o seguro cobre

É exatamente nesta semana que começam a aparecer as primeiras enxameações de térmitas em apartamentos do centro de Lisboa, do Porto e de muita cidade do litoral. As alates — formas reprodutoras aladas — escolhem dias quentes e húmidos no final de maio para sair em massa, e o sinal que muitos moradores nunca souberam interpretar é simples: pequenas asas transparentes acumuladas no parapeito, ao redor de candeeiros ou em cantinhos do chão.

Se as viu agora, está provavelmente a olhar para o início de uma colónia que já existia há alguns meses dentro da estrutura do edifício. As notícias más são duas — uma intervenção barata e tardia raramente resolve o problema, e os tratamentos a fundo são caros e disruptivos. As notícias boas são também duas — em Portugal, em 2026, as soluções técnicas funcionam quando aplicadas pelos profissionais certos, e o seguro multirriscos da casa cobre quase sempre parte do custo se reportar a tempo.

Detailed macro shot of beetles and larvae on wood, showcasing nature's complexity.

O que se passa em maio

Existem três espécies relevantes em território continental português: Reticulitermes lucifugus (térmita subterrânea, a mais comum em Lisboa, Setúbal e zona norte do Porto), Kalotermes flavicollis (térmita da madeira seca, mais frequente no Alentejo e Algarve), e Cryptotermes brevis (importada, sobretudo presente no Funchal e na Ilha Terceira mas com casos recentes em Lisboa e no Porto).

As três fazem coisas semelhantes — comem a celulose da madeira e da maioria dos materiais celulósicos do edifício (vigas, soalhos, mobília, papel de parede, cartão arquivado em arrecadações). Mas diferem em como atacam: a subterrânea sobe da terra através das fundações e ataca tudo o que esteja em contacto com a estrutura. As da madeira seca instalam-se diretamente em vigas, mobiliário e janelas, sem necessidade de contacto com o solo.

O tratamento é radicalmente diferente para cada espécie. Identificar mal a colónia significa pagar entre 800 e 2.500 euros por um tratamento que não resolve o problema. Por isso, antes de qualquer coisa, contacte uma empresa que faça inspeção com endoscópio acústico ou cães detetores — não o vizinho que conhece um senhor que faz tratamentos.

Os sinais reais que deve procurar

Asas largadas em zonas que normalmente não têm pó. Costumam-se ver entre 24 horas e três semanas após a enxameação. Cada asa tem menos de um centímetro, são transparentes ou levemente acobreadas, partidas a meio do tronco.

Tubos de barro pequenos a subir pelas paredes ou pelas fundações exteriores. Específicos da térmita subterrânea. Têm o aspeto de finos cordões de barro castanho-claro, com 3 a 5 mm de diâmetro, normalmente em zonas húmidas do edifício (subsolo, garagem, parede norte exterior). Não os mexa — se estão ativos, a empresa de tratamento precisa de encontrá-los intactos para definir a estratégia.

Pequeninas bolinhas dum granulado castanho na base de móveis, de janelas ou no soalho. Específico da térmita da madeira seca. Confunde-se às vezes com pó normal — a forma é regular, ovalada, do tamanho de uma sementinha de papoila.

Soalho ou rodapé que soa oco quando se bate. Madeira que se deforma sem causa aparente nas portas e armários. Pintura que descasca em zonas pontuais sem que tenha havido humidade. Tudo isto pode ser térmita avançada na estrutura.

O custo real dos tratamentos em Portugal 2026

Para apartamentos em condomínios horizontais, a térmita subterrânea exige tratamento à fração e à zona envolvente — ou seja, é raríssimo ser problema "só do seu apartamento". O tratamento padrão é a colocação de iscos no perímetro exterior do edifício (sistema Sentricon, Exterra ou Termatrac) mais aplicação de barreira química nas fundações. Custo médio para um prédio de 8 frações em Lisboa em 2026: 4.500 a 7.500 euros, repartidos pelo condomínio.

Para vivendas isoladas: o mesmo sistema custa entre 1.800 e 3.200 euros, plus revisitas anuais durante 5 anos.

Para térmita da madeira seca em mobiliário ou estruturas pontuais, o tratamento eficaz é a fumigação por brometo de metilo ou por sulfureto de carbonilo, ou em alternativa, a injeção de fipronil em furos calibrados. Custo: 80 a 150 euros por metro cúbico de madeira tratada.

O tratamento térmico — entrada da empresa para aquecer todo o apartamento a 55°C durante 24 horas — é eficaz em 95% dos casos com a Cryptotermes, mas obriga a desocupação completa e a remoção de tudo o que é eletrónica, plástico sensível, alimentos, plantas. Custo para um T2 em Lisboa: 2.800 a 4.200 euros. Para um T3: 3.500 a 5.000 euros.

O que o seguro multirriscos cobre (e o que não cobre)

Quase todas as apólices de multirriscos habitação em Portugal incluem cobertura para "infestação por insetos xilófagos" — térmitas e carunchos — desde que a infestação não seja anterior à contratação do seguro e desde que tenha sido reportada nas 48 horas seguintes à descoberta.

O que costuma estar coberto: o custo do tratamento profissional, até um plafond definido na apólice (tipicamente 1.500 a 5.000 euros). A reparação dos danos estruturais causados nas paredes, soalho, vigas, até um plafond maior.

O que não está coberto: o tratamento preventivo (se ainda não há infestação confirmada). Os danos ao mobiliário não fixo, geralmente. E os custos de realojamento durante o tratamento, salvo se fizer parte da cobertura "habitação alternativa" da apólice.

Empresas em que a cobertura xilófago é forte: Fidelidade, Tranquilidade Generali, Allianz Portugal. Empresas em que a cobertura é frequentemente limitada ou só simbólica: algumas marcas brancas distribuídas por bancos. Vale a pena ler a apólice antes de chamar o exterminador.

Intriguing view of a historic building's interior with a striking red door and grid windows in Porto, Portugal.

A prevenção que faz sentido em 2026

Para imóveis novos (construídos depois de 2010) em zonas de risco médio-alto, o investimento mais inteligente é a inspeção bienal — 80 a 120 euros por vivenda — com uma empresa séria. Detetar uma infestação no primeiro ano de atividade reduz o tratamento de 3.000 para 800 euros.

Para imóveis antigos em centros históricos (Mouraria, Alfama, Ribeira do Porto, Coimbra alta, Évora), a inspeção deve ser anual, sobretudo se há aproveitamento de pisos térreos ou caves. As condições aí favorecem todas as três espécies.

Para o resto do país e do parque imobiliário em altura, a inspeção é razoável a cada cinco anos — exceto se aparecerem os sinais descritos acima.

Não recomendo: pulverizar "produto para térmitas" comprado em ferragens ou em supermercados de bricolagem. Reticulitermes lucifugus vive em colónias com 50.000 a 250.000 indivíduos espalhados por 50 metros de perímetro. Matar duzentos individuos que aparecem visivelmente no salão não trava a colónia. Apenas dá uma falsa segurança que prolonga o problema.

O que fazer esta semana

Se viu asas em maio, fotografe-as e guarde uma amostra num saquinho de plástico fechado. Contacte duas empresas de controlo de pragas certificadas pela DGAV (Direção-Geral de Alimentação e Veterinária) — não qualquer empresa de limpezas que afirme fazer tratamentos. Peça uma inspeção, não um orçamento — a inspeção custa entre 50 e 90 euros mas evita a confusão de cinco orçamentos divergentes.

Comunique imediatamente ao seu seguro de multirriscos, mesmo antes da inspeção confirmada. O prazo de 48 horas é o que separa cobertura de exclusão.

Em condomínios, leve o assunto à próxima reunião com fotografias e relatório técnico — se a colónia subterrânea aparece num apartamento, o resto do edifício é quase certamente afetado, e o custo só faz sentido partilhado.

Térmitas não são uma emergência de 48 horas — a casa não cai. Mas são um problema que perde tempo todas as semanas que passa. Quanto mais tarde se trata, mais cara fica a reparação dos danos estruturais, e isso é o que separa um tratamento de 2.000 euros de uma renovação de soalho de 12.000 euros três anos depois.