Mudanças

Mudar de casa no verão 2026 em Portugal: o plano de três semanas que evita o caos no calor de julho

Mudar de casa em julho, com trinta e cinco graus à porta, só corre bem com plano. Veja o que fazer três semanas antes, quanto custa e como proteger a sua caução.

Mudar de casa no verão 2026 em Portugal: o plano de três semanas que evita o caos no calor de julho

O verão é a estação das mudanças em Portugal. Os contratos de arrendamento renovam-se, as escrituras das casas compradas na primavera concretizam-se, e quem tem filhos prefere mudar antes do regresso às aulas. Só que mudar de casa em julho, com trinta e cinco graus à porta, transforma um dia já complicado num pesadelo logístico se não houver um plano. E o plano começa muito antes de chegar a primeira caixa.

Três semanas antes: o trabalho que ninguém quer fazer

A parte mais ingrata da mudança não é carregar móveis, é decidir o que não vai. Cada caixa que arrastamos de casa em casa durante anos é dinheiro e suor desperdiçados. Comece pelo que claramente já não serve: roupa que não veste há dois verões, eletrodomésticos avariados que ia "arranjar um dia", a loiça rachada no fundo do armário. Tudo isto pode ir para a recolha de monos da câmara, que na maioria dos concelhos é gratuita mediante marcação.

As caixas conseguem-se de graça nos supermercados se pedir com antecedência ao gerente, mas há um senão: caixas de fruta vêm muitas vezes com humidade e bichos, e ninguém quer levar formigas para casa nova. Para livros e loiça, vale a pena comprar caixas de cartão reforçado — uma caixa barata que cede a meio das escadas custa-lhe muito mais do que os dois euros que poupou.

O orçamento real de uma empresa de mudanças

Uma mudança dentro da mesma cidade, com uma equipa de dois ou três homens e carrinha, ronda os 300 a 600 euros para um apartamento T2, dependendo do andar e de haver ou não elevador. Subir um piano ou uma máquina de lavar por umas escadas estreitas de um prédio antigo de Lisboa pode acrescentar facilmente cem euros à fatura.

  • Peça sempre que a empresa vá ver a casa antes de dar o preço — orçamentos por telefone são quase sempre otimistas e a diferença aparece no dia, quando já não pode recuar.
  • Confirme se o seguro da empresa cobre danos nos móveis; muitas das mais baratas não cobrem, e um guarda-fatos riscado fica por sua conta.
  • Evite o último fim de semana do mês, quando os contratos de arrendamento mudam em massa e os preços disparam.
  • Se tem pouca mobília e amigos com carro, alugar uma carrinha por um dia custa entre 60 e 90 euros e pode resolver tudo — sobretudo se a casa nova fica perto.

A minha recomendação para quem hesita: contrate a empresa só para os móveis pesados e trate você mesmo das caixas pequenas nos dias anteriores. Fica mais barato e os homens da mudança não passam metade do tempo a esperar que você decida onde fica o sofá.

O dia da mudança no calor de julho

Marque a carrinha para o início da manhã. Às oito da manhã carrega-se com vinte e dois graus; às três da tarde, com o asfalto a ferver, cada subida de escadas custa o dobro do esforço e o risco de alguém passar mal aumenta. Tenha um pacote de água fresca à mão para todos, incluindo a equipa contratada — é cortesia, mas também é interesse próprio, porque uma equipa hidratada trabalha melhor.

Prepare uma caixa de "primeira noite" e ponha-a no carro, não na carrinha. Lá dentro: lençóis, uma muda de roupa, escova de dentes, carregadores, papel higiénico, e o necessário para um pequeno-almoço simples. Na primeira noite em casa nova ninguém tem energia para abrir vinte caixas à procura da pasta de dentes, e esta única caixa poupa-lhe um fim de dia de frustração.

Antes de entregar as chaves da casa antiga

Quem sai de uma casa arrendada tem de a devolver no estado em que a recebeu, descontando o desgaste normal. Fotografe tudo no dia da entrega — paredes, chão, eletrodomésticos — porque é essa a sua prova se o senhorio tentar reter a caução por danos que não fez. A caução, recorde-se, deve ser devolvida e não serve para pagar a última renda; confundir as duas coisas dá origem a metade dos conflitos entre inquilinos e senhorios em Portugal.

Trate dos contadores no mesmo dia: leitura da água, da luz e do gás, com fotografia da data e do número. Avise a EDP ou o seu comercializador da mudança com alguns dias de antecedência, para não ficar a pagar consumo de uma casa onde já não vive nem chegar à casa nova sem eletricidade. É o tipo de detalhe que parece pequeno até passar o primeiro fim de semana às escuras.