Climatização split ou multissplit — qual escolher para a sua casa em 2026
Antes de comprar ar condicionado, três factores decidem tudo: área, fachada e orçamento. Comparação prática entre split e multissplit com preços actuais.
Maio bate à porta e os primeiros dias de calor já fizeram disparar as pesquisas por ar condicionado. A pergunta que mais aparece nas lojas da Leroy Merlin PT e da AKI continua a ser a mesma: vale a pena instalar um split em cada divisão ou compensa apostar num multissplit? A resposta depende de três factores concretos — a área a climatizar, o tipo de fachada e o orçamento disponível. Vamos por partes.
O que distingue os dois sistemas
Um split simples é o típico ar condicionado parede com uma unidade exterior e uma interior. Um multissplit liga várias unidades interiores (até cinco, em geral) a uma única unidade exterior. Parece detalhe, mas muda tudo: a fachada, o ruído de vizinhança e a factura final.
Quando o split simples ganha
- Apartamentos T1 ou T2 onde só interessa climatizar a sala e talvez o quarto principal
- Casas com varandas separadas onde cada exterior pode ter o seu lugar próprio
- Quem quer instalar por fases e não tem orçamento para uma obra única
Quando o multissplit faz sentido
- Moradias e T3+ onde queremos três ou mais divisões com ar condicionado
- Edifícios com regulamento de condomínio que limita o número de unidades exteriores
- Fachadas viradas a sul onde só há um sítio tecnicamente viável para colocar a unidade exterior
Contas reais com preços de Abril 2026
Estou a fazer uma simulação para um T3 de 95 m² em Lisboa, com sala, suite e dois quartos a climatizar. Preços médios entre Leroy Merlin PT, AKI e Maxmat, instalação incluída por técnico certificado:
- Quatro splits simples (Daikin Sensira 9000 BTU, cerca de 749 € por unidade + 280 € de instalação) — total aproximado de 4 116 €
- Multissplit 4x1 (Mitsubishi MXZ-4F72VF + quatro unidades interiores 9000 BTU) — total aproximado de 4 850 € com instalação
À primeira vista o split simples sai mais barato em quase 750 €. Só que há um detalhe: a fachada. Se o regulamento do condomínio só permite uma unidade exterior — situação cada vez mais comum em prédios reabilitados no Porto e em Lisboa — o multissplit deixa de ser opção, passa a ser obrigação.
O peso da fachada e do ruído
Quatro unidades exteriores significam quatro buracos na parede, quatro caixas a vibrar e quatro pontos de potencial reclamação dos vizinhos. Os condomínios estão cada vez mais rigorosos: vários regulamentos aprovados em assembleia em 2024 e 2025 já exigem aprovação prévia para qualquer unidade exterior visível da via pública. Em centros históricos sob protecção da Câmara, esquece — só com projecto de arquitecto.
O multissplit resolve este problema com uma única caixa, normalmente colocada na cobertura ou numa varanda técnica. O ruído também é menor a nível global, embora a unidade exterior seja maior e mais pesada (uns 60 kg contra 35 kg de um split normal).
Eficiência energética e classe
Aqui há uma surpresa: os splits simples modernos têm geralmente melhor SEER (Coeficiente de Eficiência Sazonal) do que os multissplit equivalentes. Um Daikin Sensira chega a SEER 6,4 (classe A++), enquanto um multissplit Mitsubishi 4x1 anda pelos 6,1. Diferença pequena, mas que ao longo de dez anos representa cerca de 200 € em electricidade num T3 com uso intensivo.
O que perguntar ao instalador
- Qual o comprimento máximo de tubagem entre exterior e interior — acima de 15 metros há perda de eficiência
- O modelo é compatível com R32 (refrigerante actual e mais ecológico) ou ainda usa R410A
- A instalação inclui descarga de condensados ligada à coluna de águas pluviais ou só para o exterior
- Há garantia mínima de cinco anos no compressor
Não esquecer o certificado energético
Se está a planear vender ou arrendar a casa nos próximos anos, o ar condicionado entra no certificado energético. Equipamentos com classe A++ ou superior podem subir a casa de C para B, o que valoriza o imóvel em 3 a 5%. O custo do certificado mantém-se à volta de 175 € para um T3 e a sua validade é de dez anos.
A escolha final é simples: se a casa permite, dois ou três splits simples são a opção mais barata e eficiente. Se a fachada ou o condomínio impõem limites — ou se quer climatizar quatro ou mais divisões de uma vez — o multissplit compensa o investimento extra.
Manutenção que ninguém lhe explica na loja
Comprar é a parte fácil. O que distingue um equipamento que dura quinze anos de outro que se avaria ao quinto verão é a manutenção regular — e essa cabe-lhe a si. Duas tarefas simples, uma vez por ano, antes do primeiro calor:
- Lavar os filtros das unidades interiores — basta retirar a tampa, lavar com água morna e detergente neutro, secar à sombra e voltar a colocar. Filtros entupidos reduzem o rendimento em 15% e disparam o consumo eléctrico.
- Limpar a serpentina da unidade exterior — folhas e pó acumulados nas alhetas obrigam o compressor a trabalhar mais. Um aspirador com escova macia e cinco minutos chegam.
De três em três anos, peça ao técnico para verificar a carga de gás refrigerante. Custa cerca de 80 € e pode evitar uma factura de 600 € quando o sistema deixar de arrefecer em pleno Agosto.